No universo da alocação em ativos de renda variável, em especial no investimento em ações e Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), a procura pela construção de fluxos estáveis e recorrentes de receita é um dos principais objetivos dos investidores de longo prazo. Para avaliar a eficiência de um ativo na distribuição desses proventos em relação ao preço a que está a ser negociado no mercado, recorre-se a um indicador financeiro clássico e de vital importância: o Dividend Yield (DY).
Trata-se de uma métrica que expressa a taxa de retorno gerada pelos dividendos distribuídos por uma empresa ou fundo num determinado período.
Definição e Formulação Matemática do Dividend Yield
O Dividend Yield é uma relação percentual simples, expressa numa base anual, que confronta o montante total de dividendos ou juros sobre capital próprio pagos por ação com a cotação atual de mercado dessa mesma ação. O cálculo é formalizado da seguinte maneira:
Por exemplo, se uma determinada empresa distribuiu um valor acumulado de R$ 3,00 por ação sob a forma de dividendos e juros ao longo dos últimos doze meses, e a sua ação se encontra atualmente cotada a R$ 30,00 no mercado, o seu Dividend Yield será de:
Isto significa que, para além de qualquer variação (valorização ou desvalorização) que o preço da ação possa sofrer no pregão, o investidor obteve um retorno direto em dinheiro de 10% sobre o capital alocado na compra daquele ativo através da distribuição de lucros promovida pela companhia.
A Importância do DY na Análise Fundamentalista
Historicamente, a importância do fluxo de dividendos na composição do retorno total de uma carteira de ações foi documentada por grandes teóricos da análise fundamentalista, como Benjamin Graham e David Dodd. Os dividendos representam a materialização do lucro contabilístico de uma corporação em dinheiro tangível depositado na conta do acionista.
Empresas maduras, consolidadas e operando em mercados estáveis (conhecidas como Cash Cows) necessitam de reinvestir parcelas menores do seu lucro para manter as suas operações, possuindo, portanto, a capacidade de distribuir payouts mais elevados e ostentar elevados índices de Dividend Yield.
O investidor deve agir com extrema cautela ao selecionar ativos baseando-se unicamente no topo do ranking de maiores pagadores de DY. Visto que o preço do ativo figura no denominador da equação, se o preço da ação desabar abruptamente no mercado devido à deterioração dos seus fundamentos de negócio ou perspetivas de falência, o Dividend Yield histórico irá registar uma subida matemática artificial. Este fenómeno é conhecido como uma Value Trap (armadilha de valor): o yield parece elevado, mas reflete o passado de uma empresa que pode não ter lucros para distribuir no futuro.
Dividend Yield em Ações versus Fundos Imobiliários
A análise do DY difere de forma estrutural consoante a classe de ativos analisada:
- Em Ações: A distribuição é condicionada pela ciclicidade do lucro líquido das companhias. As empresas não possuem obrigatoriedade legal de efetuar pagamentos mensais, distribuindo proventos de forma trimestral, semestral ou anual, de acordo com as deliberações das suas assembleias gerais.
- Em Fundos Imobiliários (FIIs): No ecossistema de FIIs no Brasil, a legislação determina a obrigatoriedade de distribuição de, no mínimo, 95% do lucro líquido apurado em regime de caixa a cada semestre. Devido à natureza dos recebimentos de alugueres, a esmagadora maioria dos FIIs opta por realizar distribuições mensais estáveis. Adicionalmente, estes rendimentos usufruem atualmente de isenção fiscal de Imposto de Renda para pessoas físicas que cumpram os requisitos legais, o que torna o DY dos FIIs altamente competitivo face aos rendimentos brutos da renda fixa.
Referências e Leituras Recomendadas:
- GRAHAM, Benjamin; DODD, David. Security Analysis. 6ª Edição. McGraw-Hill Education, 2008.
- DAMODARAN, Aswath. Avaliação de Investimentos: Ferramentas e Técnicas para a Determinação do Valor de Qualquer Ativo. Editora LTC, 2007.
- BARONI, Marcos; ROSSI, Danilo. Guia Suno Fundos Imobiliários. Suno Research, 2018.